segunda-feira, 27 de junho de 2011

Maria Alice Vergueiro encerra o Filo em noite pândega

Festival Internacional de Londrina (FILO) reúne trabalhos críticos e obras consagradas


Momento final da peça As três velhas, que encerrou o festival.


Realizado de 10 a 26 de junho, o festival agregou neste ano 12 companhias estrangeiras e 6 shows musicais no Cabaré do FILO. A Mostra Nacional reuniu 37 montagens de grupos de todo o Brasil. Apesar de conhecido pela dramaturgia, o FILO preserva a liberdade de incluir qualquer manifestação cultural como dança, circo e pesquisa. 

Na noite de 10 de junho, o Festival de Londrina, que é realizado há 43 anos, iniciou seu circuito de intensa programação em um altar. Em cena, uma virgem era oferecida aos deuses pela fertilidade da terra, coisa importante por aqui. Era a Sagração da Primavera, obra de Stravisnky e Nijinsky, encenada pelo Ballet de Londrina na abertura do Festival Internacional de Londrina de 2011. 

O festival terminou ontem em grande estilo, com a peça As três velhas, de direção e atuação de Maria Alice Vergueiro com o Grupo Pândega para o drama do chileno Alejandro Jodorowsky. Nesta edição do festival, o espetáculo também apareceu na versão da companhia belga Ponto Zero (Trois Vieilles). Maria Alice esteve surpreendente no papel de uma senhora na cadeira de rodas. A peça se dividia em três momentos tragicômicos, de apresentação das personagens, de desenvolvimento do drama e revelação e de uma mágica solução mercadológica para o drama das três mulheres. 

Público se despede da atriz: "assim vão pensar que sou uma estrela", disse. 
 
De sua cadeira, Maria Alice expôs a autenticidade, que já demonstrara em trabalhos anteriores, com a interpretação e exploração dos impulsos sexuais em texto e presença carnal de palco. O teatro Filo foi ideal para a partilha de abraços, fotos e comentários do público, convidado pelos atores para tomar o tablado ao fim da cena. Da peça clássica, a trupe, com Luciano Chirolli e Pascoal da Conceição, fez surgir risos e a opressão das cenas explodiu em gritos, obscenidades divertidas, expressões arlequinadas. 



O público se despediu do FILO na esperança de ver crescer o compromisso com a democratização de bens culturais, seja na produção, seja na circulação desses conteúdos. Maria Alice deu tom a este festival e à indagação: entre o erudito e o popular, para onde vai o FILO?

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