quarta-feira, 6 de julho de 2011

CICLO CULTURA E POLÍTICA - TEATRO, COMUNICAÇÃO E CINEMA marca busca por espaços de discussão no ambiente acadêmico



O evento reuniu trabalhos de fôlego e marcou o território para pesquisas de comunicação contra hegemônica.


Nos dias 4 e 5 de julho, a sala 683 do CECA, no campus da Universidade Estadual de Londrina serviu de espaço para a discussão sobre uma comunicação social engajada e distante dos modelos hegemônicos de difusão de informação. Começava o primeiro CICLO CULTURA E POLÍTICA - TEATRO, COMUNICAÇÃO E CINEMA, arquitetado pelo professor Roberto dela Santa Barros, em conjunto com as alunas Ana Soranso, Marcia Malcher e Natália Cabau, que defenderam seus Trabalhos de Conclusão de Curso. 


Sob o lema "Se muito vale o já feito, mais vale o que será", da música de Milton Nascimento e Wagner Tiso, o encontro possibilitou para um grupo ainda pequeno, é verdade, a demarcação da expectativa-ativa de mudança, revolução. "Os meios são apenas os meios, mas são essenciais". Ciro Marcondes Filho inicia seu livro O capital da notícia anunciando suas preocupações com "o caráter na notícia numa sociedade de classes". Infelizmente, naquele espaço acadêmico as declarações e tomadas de terreno são tabu. Como afirmava o cartunista Carlos Latuff em visita a Londrina outro dia: "disseram que você vive numa democracia? Mentiram pra você". Os espaços não existem, é preciso lutar por eles.


Na França há um costume de negar determinado assunto quando o interlocutor o considera inconveniente: on n´en parle pas (não se fala disso). Mas esse é um fenômeno censurável da cultura francesa. Transportar esse silêncio opressivo para os bancos da universidade é, no mínimo, contraditório. A pluralização dos espaços de comunicação é uma premissa e sua negação, coercitiva. A uni-versidade é o espaço primário da multi-disciplinaridade, da construção plural. “Ou não?”


A atividade cultural, seguida de arguição coletiva, marcou a necessidade destes espaços de debate. Da vontade imensa de se conquistar uma alternativa ao modelo hegemônico de comunicação e cultura. Da importância de meninos e meninas saberem que as cadeiras de um braço só não são apenas um avanço em seu estado intelectual. Não são essas carteiras enfileiradas somente um caminho para uma profissionalização banal, que a cada safra de formaturas perde mais a razão de ser. Aliás, não há razão em seguir o caminho besta trilhado por esse sistema econômico que envia cabeças vazias ao mercado de trabalho. É preciso rever, escarafunchar a terra vermelha e procurar um novo caminho para uma suposta intelectualidade. E se muito vale o já feito, “é preciso conhecer para melhor prosseguir”.

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