domingo, 11 de setembro de 2011

Outro 11 de setembro - 1973

11 de setembro de 1973

Golpe militar financiado pelos EUA que abortou a experiência do Salvador Allende no Chile, em 1973. 


"Aquele sim foi um dia no qual a liberdade foi atacada" 
(Felipe de Souza, Londrina, 2011).

O fragmento acima foi produzido por Ken Loach e é parte do filme 11'09''0, em que onze diretores fizeram suas versões sobre os ataques em território norte-americano em 11 de setembro de 2001.

Salvador Allende Gossens  morreu em Santiago do Chile no dia 11 de setembro de 1973. Foi fundador do Partido Socialista, governou seu país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.

Allende foi o primeiro presidente de república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América Latina. Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa, e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país.

“As bandeiras agitam-se no ar,

Vermelhas, brancas e azuis,

E a história assim começa

Em cada rua,

Em cada esquina…

Vozes erguem-se como ondas

Num oceano sem fim,

Os punhos manifestam-se no ar…

Da montanha até ao mar.”



Allende:
“Eles têm o poder, podem escravizar-nos, mas o progresso social não pode ser travado, nem pelo crime nem pela força. A História é nossa e é feita pelo Povo! Viva o Chile! Viva o Povo! Vivam os trabalhadores!”
Ele foi assassinado. Assassinaram-no. Numa terça-feira. A nossa terça-feira. Dia 11 de Setembro de 1973. um dia que destruiu a nossa vida para sempre.
Deram-me um tiro no joelho e fizeram-me encostar a cara ao pó da estrada. Bateram-me tanto, que, por várias vezes, perdi os sentidos.
“Saíste p’ró trabalho
Numa terça-feira de Setembro,
Estavam as ruas sitiadas
Na cidade de Santiago.
Ruas surdas à metralha…
Ruas cegas à traição,
Insensíveis à mortandade.
Saíste p’ra trabalhar
Terça-feira e não voltaste!
Hoje caminho p’las ruas,
Ando de terra em terra,
Buscando-te sem cessar,
Querendo saber de ti.
Nas mãos
Tenho uma pequena foto tua
E em teus olhos brilha
Aquele sorriso de outrora.
Onde estás?!
Onde estás?!
Num descampado qualquer…
Cegos os teus olhos…
Quebrado o teu corpo,
Mas inteiros os teus sonhos.
Saíste p’ra trabalhar terça-feira
E não voltaste!

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