terça-feira, 28 de agosto de 2012

Recado de Regina

Eu e Regina, a rainha da compreensão, conversávamos sobre a vida. De fato, a morte rondava aquela conversa. A sombra da dificuldade de dar um passo quando o peso da morte segura as correntes atadas às pernas. Sobre pessoas que se foram de forma trágica, deixando pai doente, mãe sofredora, irmã com cancer terminal. Sobre o ir e vir e as decisões de não tomar decisões. Sobre o dilema da vida moderna e burguesa e a tristeza das palavras enroscadas. E o inferno. Então ela me enviou um recado, que de certa maneira explica o pai doente, a mãe sofredora, a filha fatal, a ausência (a falta, Regina, material e simbólica):

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço"
Italo Calvino

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