terça-feira, 9 de abril de 2013

Curso Universidade Livre Feminista


Curso Universidade Livre Feminista

Reflexões Feministas sobre o Sistema Político (abril-maio-junho/2013)

Módulo 1 -
Participação política das mulheres e agenda feminista

Vídeo: http://vimeo.com/63348556

O primeiro ponto importante a ressaltar é o caráter emancipador dessa construção coletiva: de base feminina e feminista, onde as necessidades de partipação política são discutidas em conjunto, em coletividade; e já entendendo política como o sistema de elementos e processo transformadores das relações sociais;

O segundo destaque é a posição histórica na qual nos encontramos hoje: uma sociedade patriarcal, racista e capitalista. "A ordem do capital e a emancipação da mulher são – histórica e praticamente – absolutamente irreconciliáveis. (ANDERSON, 1984, p. 106).
A ordem capitalista e a emancipação do ser humano oprimido, pertencente a qualquer grupo (classe, raça, sexo, gênero,) são irreconciliáveis, pois a lógica do capital é (seja a do acúmulo de propriedade, de lucro, de poder ou de vantagem), em si mesma. Ou seja, é a força do maior detentor de condições opressoras contra o outro, historicamente em desvantagem (lei da selva, lei do mais forte. Aqui uso força no sentido de hegemonia e ai não podemos falar em características biológicas de uns em vantagem contra os outros, pois estaríamos subestimando a compreensão de força histórica).

Em relação à sub-representação das mulheres, podemos dizer que os meios informativos e culturais (as mídia noticiosas, as instituições educacionais a cultura de massas) tem uma relação direta com a desvalorização da participação política da mulher. Primeiro, porque a tomada massiva dos espaços públicos pela mulher é "recente", do ponto de vista histórico e esses meios se utilizam da "história oficial", escrita e documentada pelos homens. Segundo, porque os interesses políticos e econômicos direcionam esses meios. E me parece que não interessa às classes dominantes dividir ou compartilhar o poder ( :/ ironia!).


Somos 51% da população brasileira, e em número de eleitoras, isso representa a maior parte do sistema político vigente. Esse dado contribui para refletirmos sobre a subrepresentação feminina nos espaços de poder.

Como sabemos, grande parte dessa estrutura em que vivemos foi construída em defesa da propriedade privada. Apenas 52% das mulheres são economicamente ativas, contra 79% dos homens (Pesquisa Perseu Abramo). Dentre as que não trabalham "fora", 25% são consideradas donas de casa a partir dos 35 anos.
As razões pelas quais as mulheres não trabalham ou não participam da vida pública são as mesmas: não têm com quem deixar seus filhos, não receberam as mesmas oportunidades de educação, não podem comparar sua remuneração à dos homens e muitas vezes não têm estudo/qualificação (detesto essa palavra!). Todos esses fatores estão ligados à raça, etnia e classe social. Isso está diretamente relacionado com a desvalorização dos salários e cargos das mulheres que trabalham fora e com a atribuição das tarefas domésticas. É sabido que, em geral, a mulher que não tem com quem deixar os filhos não pode participar de nenhum movimento político.

A agenda feminista também apresenta diversidades. Sabemos que há grupos que criminalizam os direitos reprodutivos e defendem o neo-liberalismo. Mas o fato é que, entre as esquerdas feministas, parece existir um caminho para o compartilhamento. Pelo menos é nisso que eu preciso acreditar.

E isso me lembrou a ideia de poder de Magdalena Leon: O empoderamento das mulheres representa um desafio para as relações familiares e perpassa a estrutura cultural, segundo Magdalena Leon (2000), pois significa a perda de posições privilegiadas em que foram colocados os homens nas sociedades patriarcais. Outro argumento da autora é que empoderamento e empoderar assinalam ações e pressupõem que os sujeitos se convertam em agentes ativos, como resultado de um acionamento, que varia de acordo com cada situação concreta (LEÓN, 2000). Assim as mulheres devem ser agentes de sua própria história, e nisso temos que admitir que o movimento feminista, ainda que não compartilhe totalmente a agenda feminista, tem tentado fazer: emancipar as mulheres para os mais variados propósitos.

LEON, Magdalena. Empoderamiento: Relaciones de las mujeres com el poder. Revista Estudos Feministas. CFH-CCE-UFSC, Vol. 08, n. 2, p. 279-281, 2000.  

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