sábado, 25 de maio de 2013

Coisas lindas da semana

 



Marakatu Truvão, de Porto Alegre (RS)
 
O "meio de semana" agitado em Porto Alegre me faz compartilhar coisas lindas que descobri e vivi por aqui.

Música - Queyi
Foto de Queyi
Do "myspace" de Queyi
A primeira boa surpresa foi ouvir "Queyi" (se pronuncia Queji, mas no Uruguai, onde a musicista vive, os gauchos dizem Quexi), voz e violão (Richard), no Ocidente Bar, durante mais uma edição do Sarau Elétrico (terças-feiras, em temporadas). Queyi é uma artista castellana, mas chegou de mansinho, muito tranquila, carregando nas mãos uma vela e seu segundo CD - que não traz o nome no encarte - transformado em barquinho, cantando a primeira faixa, como se navegasse entre nós. Q - U - E - Y - I.

O CD foi lançado aqui na capital gaúcha, durante a apresentação da cantora no Foyer Nobre do Teatro São Pedro, na quarta-feira, 22. Essa foi a segunda alegria da semana. Além de encantar na apresentação, muito criativa, fazendo envolver a plateia com objetos simples, como a contar histórias, o disco é belíssimo. Letras, músicas e poesias de singelez e pureza, contraditóriamente, admiráveis.

Conexões Globais - la troisième bonheur de la semaine
A terceira felicidade da semana foi cair no Conexões Globais, festival multidisciplinar de inclusão digital realizado na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, até o domingo, 26. Além de boas discussões sobre a web, trabalho, acesso à comunicação, o Conexões trouxe também grandes shows musicais, oficinas, espaços para rádio web livre, cine clube, entre outras atividades.
Na noite de quinta-feira rolou show de Maracatu Truvão, de ensejo gaúcho, e posso dizer que está a altura de um autêntico Maracatu pernambucano. A gente toda se agitou de uma lado para o outro e fez suar quem tirou o cachecol.

Para encerrar  a noite, veio o show do compositor Jorge Mautner, autêntico e político, como sempre, acompanhado de Bem Gil. Articulou "Eu não peço desculpa", "Samba dos animais", entre outras.
 
Nas atividades da tarde seguinte, ainda no festival, descobri a feminista Bruna Provazi e seu blog. Roqueira, ela milita em várias frentes, entre elas para o Festival Mulheres no Volante e Riot Grrrls (leia aqui o manifesto em inglês). Muito jovem, mas com uma metralhadora de ideias na cabeça, conseguiu reunir, no pouco tempo de exposição que lhe cabia, assuntos como a marcha das vadias (= das mulheres, para quem ainda não sabe), inclusão digital e social na sociedade patriarcal e capitalista, produção intelectual e condições materiais para a igualdade entre os gêneros.


Produção intelectual feminina

Esse assunto, aliás, me trouxe à memória um artigo, enviado pela querida amiga Regina Krauss sobre o livro de Virgínia Woolf: "Um teto todo seu". A resenha foi escrita por Hugo Belarmino de Morais e publicada na Revista Jus. Aborda como V. Woolf relatou as diferenças na produção intelectual feminina vivida por mulheres em sua época, entre outras delicadezas de um tema tão complexo. Daí ele seleciona essa frase da autora:

"Um gênio como o de Shakespeare não nasce entre pessoas trabalhadoras, sem instrução e humildes. Não nasceu na Inglaterra entre os saxões e os bretões. Não nasce hoje nas classes operárias. Como então poderia ter nascido entre mulheres, cujo trabalho começava, de acordo com o professor Trevelyan, quase antes de largarem as bonecas, que eram forçadas a ele por seus pais e presas a ele por todo o poder da lei e dos costumes? Não obstante, alguma espécie de talento deve ter existido entre as mulheres, como deve ter existido entre as classes operárias." (V. WOOLF, 1985, p. 64)

Outros e antigos problemas sob o mesmo manto patriarcal e classista, que neutraliza a produção feminina e limita as mulheres à escala da reprodução. Texto muito bem escrito, artigo gostoso de ler.

Pequenas alegrias para uma semana de muitas descobertas.
 

25.jun.2013
Fotos e vídeo de Queyi no Teatro São Pedro: eu
https://www.youtube.com/watch?v=4MoTrk0NHgg&feature=youtu.be

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