segunda-feira, 20 de maio de 2013

Filme para dançar

Ontem assisti (no cinema) ao filme Somos Tão Jovens (2013), sobre a vida do cantor Renato Russo.
Antes de tudo, fiquei surpresa com o público do filme, tão variado e entusiasmado. Depois, com a atuação de gente tão jovem e muito convincente. Aliás, os atores acabaram bastante parecidos com os jovens músicos. Curiosamente, Nicolau Villa-Lobos interpretou seu pai, Dado, o que certamente deu mais veracidade à interpretação.

Esse filme mereceria a tão contraditória Parte 2, pensava eu enquanto assistia. As continuações são sempre muito polêmicas. Ao final, ouvi os gritos decepcionados pelo fim de prazeroras horas. A coletividade resmungou: Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Então percebi que não se trata de um filme comum: foi feito para ouvir, dançar e cantar junto.
Para quem não acredita, vale uma olhadela no trailer:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xa3izIueaE4
 
A explicação para o público múltiplo é bastante simples: a Legião Urbana foi uma das maiores bandas brasileiras de rock de todos e Renato Russo, um compositor como poucos há. O tempo do filme pode não ser aquele que muitos esperam, o das mais duras angústias de Renato, da dor e sofrimento, antes da morte. Mas é o tempo da criação e da busca pelo espaço do sonho. Bonito tempo.
 
Apesar de não tão apaixonante, o filme desmonta qualquer expectativa quanto à seleção musical. Para melhor. O entrelaçar de faixas como Veraneio Vascaína, sucesso do Aborto Elétrico que depois foi regravada pelo Capital Inicial, com músicas-crônicas, como Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo, marcam a fase de experimentação e trabalho árduo, primeiro de Renato com os irmão Lemos, depois da Legião, com Marcelo Bonfá e Dado Vila-Lobos. A opção por canções como a de abertura Tempo Perdido coloca os fãs em uma situação de delícia delicada: se já começa assim, o que vem depois? Vieram Ainda é cedo, Geração coca-cola e a belíssima Por enquanto. Em Daniel na cova dos leões segurei o grunhido. "Fez casa nos meus braços e ainda leve. Forte, cego e tenso fez saber Que ainda era muito e muito pouco", dizia a música. Um filme assim causa até pesadelo, dos bons! Acordar durante a noite não é novidade para mim, mas os sonhos que tive foram assustadores e muito gostosos. Revi em cada estrofe gente que há muito não via. Será que o imaginário conta como visão?
 
O problema foi ficar com aquela terrível sensação saudosista, desejo de abraçar a melhor amiga, de rever o primeiro amor, de reatar com aquela amiga que roubou seu namoradinho na sétima série, de finalmente se lembrar das risadas do amigo que já partiu. Éramos tão jovens. Bateu aquela vontade de conversar com os amigos dos anos 1990 e saber como seriam suas biografias. Refazer a minha. "Mas você viu esse filme também". Bonito de sentir.

Um comentário:

Viviane Castanho Marin disse...

Maravilhosa exposição das sensações incitadas pelo filme!