terça-feira, 1 de julho de 2014

Amores (im)possíveis de Isabel Allende


Publicado originalmente em novembro de 2013 no Portal Leiturinhas: http://arquivoleiturinhas.blogspot.com.br/2013/12/novembro-artigos.html


Acaba de chegar às livrarias gaúchas a primeira edição de bolso do livro Amor, de Isabel Allende, que em breve poderá ser encontrado em todo o país. Lançado pela editora Debolsillo (2013, 235p.), o livro preserva a riqueza linguística dos textos construídos para obras como: La isla bajo el mar e Hija de la fortuna. #Amor reúne contos compilados pela autora, narrativas envolventes e um toque de erotismo sobre a descoberta de amores possíveis e outros nunca concretizados, em diferentes lugares e fases da vida.

Allende trata de questões femininas, com a audácia da autoria feminista. Desde menina, a autora defende o movimento feminista, "antes mesmo que o termo chegasse ao Chile". Para ela, a escrita serviu para "despejar as dúvidas e as sombras da existência e para aprender a conhecer melhor a própria alma".

O livro vai além de expectativas mundanas e da decifrável descrição sobre o que seria o amor na visão da autora. Allende provoca os leitores e as perspectivas mais previsíveis com minúcias sobre desejos realizados, interesses reprimidos, anedotas românticas e relacionamentos rocambolescos.

A autora complementa a beleza das histórias com comentários cheios de humor desde as primeiras páginas, intercalando-os entre os contos. A primeira publicação, em tamanho convencional, celebrou o aniversário de 70 anos de Allende, completados em 2 de agosto de 2012 e vividos sob o mais pragmático feminismo. Antes da edição de bolso, o livro havia sido publicado em português pela editora Bertrand Brasil, e espanhol, pela editora argentina Plaza & Janés.

Para leitores latino-americanos

Sem apelar para um preciosismo, a obra pode ser lida por iniciantes no idioma espanhol. É na aproximação dessa língua com a nossa que reside a delícia de se compreender expressões como: Me escapé del colégio para bailar con los yanquis, que aqui chamamos 'gringos'. Os nativos hispano-americanos ou amantes do castelhano podem por fim mergulhar nas detalhadas descrições de um primeiro beijo, enquanto o termo do inglês yankee lá designa os antigos habitantes da Nova Inglaterra e aqui, do ladinho, o relacionamento apaixonado entre o povo chileno e os 'imigrantes' norte-americanos.

Trabalhando desde os 17 anos como escritora e jornalista, Allende escreve sobre o amor, a paixão, delineando com maturidade o erotismo de um ponto de vista feminino. De nacionalidade chilena, Isabel Allende é autora de romances, contos, memórias e teatro. É conhecida internacionalmente por "A casa dos espíritos" (Editorial Sudamericana, 1982), romance que inaugurou uma brilhante trajetória literária, pelo qual recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Chile, em 2010.

Nascida na década de 1940, a autora conseguiu, ao longo de sua trajetória literária e política, posicionar-se como mulher narradora do cotidiano, coroando a longa carreira com esses contos de amor e sexo. “As coisas mais importantes de minha vida se passaram nas câmaras secretas do meu coração e não pertencem a uma biografia”, revela. “Quando eu era jovem, sentia-me desesperada: tanta dor no mundo e tão pouco eu podia fazer para aliviá-la! Mas agora penso sobre minha vida e me sinto satisfeita, porque poucos dias se passaram, sem que ao menos eu tentasse mudar as coisas”, complementa.

$$$: preço médio de R$29 – edição de bolso.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Black-Blanc-Beur (negros, brancos, árabes): uma história que líderes franceses não querem contar

Em 2008, os cidadãos franceses presenciavam um manifesto curdo pela libertação do líder separatista do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), Abdullah Ocalan, preso na Turquia. Na ocasião, alguns franceses natos, já senhores, gritavam à força dos pulmões contra os manifestantes: rentrez chez vous! (voltem para suas casas!). Para muitos, era apenas mais uma passeata que se dissiparia à francesa. Mas aquela comunidade se manifestava pacificamente pelos direitos políticos de seu representante.

Eu, estrangeira ilegal*, sentia na voz ardida de tom polido a profunda antipatia em relação aos estrangeiros. A violência verbal dirigida àquelas famílias, comunidades de trabalhadores, pessoas legalmente amparadas, não atingiria diretamente os imigrantes brancos, que falassem francês e sempre se dirigissem aos locais, donos do território, com a submissão de quem se encontra em desvantagem. 

Hoje a imprensa mundial assiste aos comentários preconceituosos do presidente de honra do partido nacionalista francês, Jean-Marie Le Pen. Nos jogos da Copa, Karim Benzema não canta a Marselhesa. Francês, de origem argelina, como é o craque Zidane (que nasceu em Marselha), o atual artilheiro francês protesta silenciosamente contra as ofensivas do hino nacional, escrito em 1792. A mesma cultura francesa, que carrega os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, vê-se mergulhada em xenofobia nesse início de século. O canto exalta a pureza do sangue francês: "Às armas, cidadãos, Formai vossos batalhões, Marchemos, marchemos! Que um sangue impuro Banhe o nosso solo!".

O Nacionalismo francês remonta à época da Revolução. Tais líderes políticos acreditam que o desemprego e a violência na terra do Camembert são resultado da imigração 'pobre e deseducada'. Le Pen e a Frente Nacional, no entanto, não representam as gerações de franceses oriundos das ex-colônias que ajudaram a erguer o país ao estatuto de bem estar social, tão criticado pelos neo-nacionalistas. Já os jogadores pertencem a essa importante camada da sociedade francesa, trabalhadores multiculturais que acreditam em sua seleção. O Nacionalismo não os representa. E que fique bem claro no silêncio de 'les bleus'.



*Para viver na França o imigrante deve portar um documento de permanência, conhecido como Carte de Sejour.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Rosas

No sábado, 21, morria no Rio de Janeiro a belíssima Rose Marie Muraro. Deixou lições de vida que não serão esquecidas. Dedicou-se a combater todo tipo de desigualdade: de gênero, social, racial.
Durante décadas, trabalhou com Dom Helder Câmara e Leonardo Boff, na luta pela emancipação das mulheres e pelo importante movimento social da Teologia da Libertação.
No campo da produção intelectual, seu livro mais conhecido, Sexualidade da Mulher Brasileira: corpo e classe social no Brasil, é um trabalho de campo realizado em vários estados,  um retrato duro das diferenças que marcaram a década de 1970, mas que persistem em muitas regiões brasileiras.
Teve corajosamente: cinco filhos, doze netos e quatro bisnetos.
Rose agora está guardada ao lado da outra, a Luxemburgo, e tantas flores raras. Fica na dobra esquerda do meu coração. 
Como bem destacou Boff sobre essa mulher impossível: "Ela se inscreve na linhagem das grandes mulheres arquetípicas que ajudam a humanidade a preservar viva a lamparina sagrada do cuidado por tudo o que existe e vive."
(em: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/06/22/rose-mrie-muraro-a-saga-de-uma-mulher-impossivel/)

Outros agradecimentos:
http://rosemariemuraro.blogspot.com.br/2010/11/parabens-rose-e-obrigada.html

Conversa de gaúcha II

- Guria, sabe o alemão (holandês), aquele? Mais enrolado que namoro de cobra.
- Bah! Mas tu ficaste com ele?
- Mas claro!
- Capaz! Tu juras?
- Bah! Na Padre Chagas. Mais atirado que alpargata em cancha de bocha! Loco de especial!
- Bah, bem capaz! Te aprochega. E pega a cuia. 

Conversa de gaúcha I

- Guria, que amor aquele alemão (holandês)!
- Capaz!
- Tu juras?
- Maior pega ratão! Um lasqueado.
- Bah! Com esse eu me casava!
- Tu juras? Maleva. 
- Bah, bem capaz!
- 'Tas bem faceira!
-Capaz! 

Conversa de gaúcho II

Conversa de gaúcho:
- Bah! #partiu fingir-se de gringo para 'comer a mulherada?
- Bah! Gringo argentino?
- Claro! Me gustan las mujeres brasileñas.
Naquela noite, a Cidade Baixa parou para ver a brasuca traçar um hermano 'con dulce de leche'.

Conversa de gaúcho I

Conversa de gaúcho: 
- prometeram chuva para hoje!
...e cumpriram.